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O blogue do programa de música pop em português
da Rádio Centre-Ville FM, 102,3, Montréal.

26.5.05

FUNK CARIOCA EM MISTERIOSOS MP3

Dei com essa página que contém mp3 de montão de funk carioca, ou como dizem os gringos "baile funk". Sem maiores explicações, além de uma tentativa sem-vergonha - porém não indecente - de explicar o som da favela / periferia.

cata lá e bota pra tocar na festa!

Gêmeos, em todas Posted by Hello

OS GÊMEOS: INTERNACIONAIS AÊ...

Dia desses, uma amiga me mostrava umas fotos de sua viagem à Cuba, quando de repente dei um berro: "Os Gêmeos"! Ela captou na foto, sem saber do que se tratava, um grafitti dos irmãos paulistanos Gustavo e Otávio Pandolfo nas ruas de Havana. Os Gêmeos são uma dupla lendária no grafitti mundial, que não só foram escritores (o jeito que os grafiteiros se autodenominam) muitos influentes no Brasil como também exportaram técnicas e atitudes mundo afora.

Na semana passada, tava eu contente tomando meu bubble tea e folheando uma revista Touch, de Hong Kong, lá no Magic Idea, em Chinatown, quando dou de cara com essa matéria aí em cima dos Nikes dos Gêmeos [as páginas arrancadas, ao alto]. Curiosíssima pra ler a matéria, pena não entenda cantonês muito bem... Depois comprei essa RES magazine (da Califórnia)e lá estavam eles de novo [a revista aberta, abaixo]. Essa moçada tá ficando pop que só vendo...

LINQUES:

* Fotolog de fã dos Gêmeos e coisas geminianas, clicado durante exibição do filme GINGA: The Soul of Brazilian Football, projeto bancado pela Nike de documentários sobre futebol e garotos brasileiros, sob a batuta de Fernando Meirelles.

* Matéria sobre os gêmeos em inglês

25.5.05


Setlist, cortesia de Alexander Posted by Hello

M.I.A. + LCD SOUNDSYSTEM EM MONTREAL

Ai que issa foi bão demais, genti! E olha que eu não sou de curtir muito show não. Mas não se preocupem que não vou fazer resenha, que tem mais a cara de coisa do meu ex-empregador, a Reuters (!). Olha a resenha reuterinha do show de Los Angeles aqui. Vixi.

Mas vou tagarelar um cadinho sim. Primeiro, M.I.A. a super hypada MC londrina-singalesa (vídeos de show), foi tudo de bom. A guria não tem nehuma cancha de palco, o que é uma beleza, pois o público é brindado com uma performance sem arrogância e com uma energia punk faça-você-mesmo. Quem já conhece o som da M.I.A. tá sabendo que ela mistura hip-hop, ragga, bhangra, e funk carioca, mas o que fiquei sabendo no show é que ela e sua co-dançarina backing vocal fazem um monte de dancinhas de funk carioca também. Trés fun. E M.I.A. voltou pro bis cantando em português, a faixa "Bucky Done Gun", que chupou pedaços de "Engessão", faixa do DJ Marlboro. O povo pulando e GRITANDO junto.

No intervalo eu comecei a sentir um piriri-pororó me subindo pela espinha e corri (ou melhor, empurrei e acotovelei a moçada no teatrinho La Tulipe) pro bañeirón, que exibia desanimadores quilômetros de fila. A solução foi ir em casa, que fica a um quarteirão do teatro. Aproveitei pra dar um tapa, e quando voltei (empurra, acotovela) ainda tive tempo de me posicionar no gargarejo. LCD já começou detonando com iluminação disco e muito bass dançante e foi duca quase o tempo todo, apesar de uma mina mala do meu lado que explodiu toda minha teoria de que canadenses são mais feministas e ponta-firme que a gente. Nah... A guria, trêbada, tentava se esfregar em todo mundo (yeah, moi inclusive) e acabou que até os amigos a abandonaram. O vocal-mentor James Murphy dedicava o show o tempo todo para o baixista da banda, o Tyler, sei lá porque cargas d'água.

No finalzinho, já no segundo bis, o Phil Mossman (guitarra etc) apareceu no palco com uma garrafa de cerveja e outra de Jameson. Como eu tava a um metro dele fiz um gesto com o indicador e o polegar pedindo uma dose do uíscão, meio de brincadeira. E não é que o cara veio e despejou tipo três doses no meu copo vazio de cerveja? Sweeet. Essa é a atitude geral, desencanada, de alta diversão e seriedade musical. Não muda a vida de ninguém, mas foram três horas bem passadas.

As músicas que não aparecem no setlist lá em cima são:
09) Yeah
10) Bis: Jump Into the Fire
11) 2º bis: Não faço idéia

LINQUES:

* Meu ex-colega de UOL Jan Fjeld fala do álbum da M.I.A. Arular na sua coluna "O Pulso"

* Um blogueiro comenta show de Chicago aqui

JONI MITCHELL, PHD

A cantora e lenda da folk music canadense Joni Mitchell recebeu faz um tempo da Universidade McGill, aqui de Montreal, um título de Doutorado Honoris Causa por sua carreira. Mitchell, que se aposentou e não faz mais shows nem grava, deu palestra e fez bate-papo com alunos durante simpósio que foi ao ar ontem na TV. Ela, como sempre, estava cheia da farpas pra todos os lados.

A McGill é tipo uma Harvard ou Oxford do Canadá. Muito prestígio, pesquisa de ponta, edifícios de tijolo à vista e gramados verdejantes.

O que me levou a uma reflexão: quem se lembra quando e se a USP ou outro campus de peso já celebrou nossos menestréis brazucas com doutorados e afins? Será que isso revela uma estranha e ambivalente relação da academia tupiniquim com a cultura popular? Tipo "estudo porém esnobo"? O Dr. Dorival Caymmi recebeu o título da Universidade Federal da Bahia, mas vamos e venhamos, todo mundo sabe que baiano venera cultura popular mais e melhor que o povo do Sul "Maravilha"...

NORIEL VILELA, UM CULT DO SAMBALANÇO

Anda rolando no meu som muito Noriel Vilela. O rapaz faz um som que penetra nos ouvidos feito melado quente (hm, tá), e depois vai escorrendo pra baixo até balançar irresistivelmente as cadeiras. Pra quem não sabe, Noriel fazia samba-rock nos anos 1960 com uma voz de baixo profundo (bota profundo nisso) e uma temática bem afro, de macumbeiro merrrmo.

É difícil achar info do Noriel nas interneta da vida, mas descobri que o negão fazia parte do grupo vocal Cantores de Ébano (muito comparado ao Sounds Of Blackness) e que ele morreu de sopetão, provavelmente no começo dos anos 1970. Um de seus grandes sucessos foi "Dezesseis Toneladas", uma regravação de um folksy-pop-country gringo (naturalmente) do anos 40! Ouça a gravação original de "Sixteen Tons" aqui.

(Thanks Juju!)